segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Será a volta do arado e da grade?



Ultimamente, os problemas com as plantas daninhas, principalmente a Buva (Conyza bonariens e Conyza canadensis) têm sido assunto de discussões acaloradas nos principais eventos que debatem o agronegócio, como é o caso do X Seminário de Milho Safrinha, que aconteceu agora em novembro de 2009 em Rio Verde-GO. O assunto é recorrente e relevante ... já não é de hoje!!!! Já faz algum tempo que os mais renomados pesquisadores do assunto discutem alternativas para combater essa planta, que é capaz de promover prejuízos consideráveis (40%) nas lavouras de soja em razão de sua resistência ao glifosato e a consequente competição por água, luminosidade e nutrientes. Recentemente, grandes extensões de terra na região Sul do país, com o sistema de plantio direto (SPD) consolidado há mais de 30 anos, foram revolvidas diante da gravidade do problema. Na ausência de outra alternativa de controle, os produtores se viram obrigados à retornarem ao sistema convencional de preparo do solo.
Como se não bastasse os prejuízos com a Buva, alguns sites especializados noticiam mais um problema que promete desenterrar o arado e a grade (quem diria ...). Trata-se da "Soja Louca II", que ainda não tem causa esclarecida nem manejo recomendado. Entre as hipóteses para o aparecimento da "doença", é cogitada a interação entre herbicidas, fungicidas e inseticidas, assim como as altas temperaturas, maior quantidade de matéria orgânica no solo e ataque de alguns tipos de ácaros. Segundo os pesquisadores da Embrapa Soja de Londrina-PR, os primeiros relatos da "doença" datam de mais ou menos 15 anos atrás, em áreas de clima mais quente, como é o caso dos estados do MA, PA e TO. No entanto, ano após ano, os prejuízos se intensificam (as perdas chegam a 2%) e já preocupam os produtores do MT, um dos mais importantes produtores de soja deste país. Os sintomas muito se assemelham aos da Soja Louca, induzida pelo intenso ataque de percevejos e velha conhecida dos colegas fitopatologistas. As plantas permanecem verdes, o que favorece inclusive a ferrugem asiática e chegam a abortar os grãos. Provavelmente no mês de março deste ano, a Embrapa Soja divulgará um comunicado com as orientações para um manejo eficiente do problema. Entretanto, em razão da suspeita de que uma das causas possa ser o acúmulo de MO, uma das alternativas de manejo promete ser a incorporação dos restos de cultura através da gradagem do solo.
Mais não são apenas más notícias.

Durante o Show Rural Coopavel 2010, a Coodetec (Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola) divulgou uma alternativa para o controle da Buva. Trata-se da soja STS (Soja Tolerante à Sulfoniluréia), que contém um gene que aumenta a degradação do herbicida deste grupo na planta, proporcionando alta tolerância, além de garantir o potencial produtivo sem agredir o meio ambiente. Dessa forma, além da soja convencional e transgênica RR, a partir de agora, o mercado contará também com a soja STS, ampliando o leque de herbicidas para o controle da planta daninha e, no mínimo, retardando o retorno ao sistema convencional de preparo do solo (o que, pelo menos em tese, deveria ser a última alternativa). O melhor é que a tecnologia STS é de livre utilização, o que significa a não cobrança de royalties ao produtor.
Será que o arado e grade vencem esta disputa?

Grande abraço!

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